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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Projeto (des) Acumuladores – Parte 05



Piloto Automático + Dica de Livro

O último post foi em fevereiro, não acredito que já faz esse tempo todo! O__o Bem que eu achava que estava em tempo de fazer outro update, mesmo tendo perdido muito do ânimo com os eventos passados.. Mas enfim, depois de tudo que aconteceu, procurei buscar em mim nova motivação pra seguir adiante com esse projeto, e no dia seguinte à discussão já estava arrumando novamente. Não dá pra desanimar totalmente, precisamos virar a página o mais rápido que der, e foi o que eu procurei fazer. Enquanto eu estiver nessa casa, ao menos quero um ambiente limpo, organizado (dentro do possível devido às circunstâncias..) e livre de baratas.

No último post esqueci de comentar que também doei algumas roupas minhas que mantive por muitos anos, pois eram muito bonitas, em lindas cores (cerca de 10 ou 11 blusas). O problema é que eu era alérgica àquele material, e sempre coçava muito.. Fiquei me perguntando por que guardei por tanto tempo (uns 10 anos ou mais) todas essas blusas que me faziam mal e eu não conseguia usar, tanto que ainda estavam novas.. (Pena, esqueci de tirar foto delas..) Acho que muitas vezes nós nos acostumamos com esse “piloto automático” e não pensamos muito sobre por que guardamos certas coisas.

Mas uma grande ajuda que tive nesse sentido foi o livro “Não deixe para depois o que você pode fazer agora”, de Rita Emmett (não lembro se já mencionei). Esse livro tem grandes dicas para superar a protelação e criar coragem de enfrentar a bagunça, ou seja qual for a tarefa que você estiver protelando. Dele destaco duas dicas (entre muitas que já me ajudaram):

1- Sistema de recompensas: onde para uma determinada tarefa realizada, você se permite uma recompensa pré-estabelecida, equivalente ao tamanho/dificuldade da tarefa. Por exemplo: se eu conseguir realizar o reparo (fácil mas que venho adiando) de um bico de luz da cozinha, vou me permitir saborear um pedaço de torta sem culpa de sair da dieta. Ou então se eu conseguir completar e entregar um trabalho importante dentro do prazo, vou me permitir um cinema no fim de semana. Ou mesmo, se eu conseguir dar aquele telefonema difícil, vou me permitir ficar uma hora jogando videogame ou olhando coisas divertidas na internet. São sempre recompensas que lhe deem prazer, e que sejam pra você mesmo (a).

2- Fazer 1º a tarefa mais chata/difícil: essas normalmente são as primeiras a serem adiadas, por causa do stress relacionado a elas. Mas muitas vezes adiá-las consome mais tempo e energia (e gera muito mais stress) do que atacar o problema de uma vez. Além disso, após enfrentar o problema, normalmente nos sentimos muito mais leves e energizados, o que em si já é uma grande recompensa. Mas também gosto de combinar essa tática com as recompensas, pra dar ainda mais coragem de entrar em ação, e minimizar as chances de deixar pra depois.



Outra coisa que eu guardava muito era books. Como sou corretora e trabalhei por quase 2 anos só com lançamento e estoque de incorporadora, tinha ainda uma quantidade enorme de books e panfletos guardados. Já vinha me livrando deles há um bom tempo, e agora esses da foto acho que foram os últimos. E com isso sobra mais um pote pra guardar coisas que ainda quero. =)





Updates mais recentes - E as coisas voltam a ser a ser o que eram...

Faz alguns dias que estava tentando escrever este post, mas vinha adiando porque não queria escrever mais coisas ruins e depressivas. Então, conversando com uma amiga muito querida que conhece um pouco mais da minha situação, me lembrei que o motivo porque comecei a escrever esses posts foi pra ajudar outras pessoas (ao menos como referência) que possam estar passando pelos mesmos problemas. Então cheguei à conclusão de que posso até amenizar, mas devo ser sincera sobre a realidade do que acontece, até pra não criar falsas esperanças em casos semelhantes.

Bem, dias após a discussão do post anterior, meu irmão acumulador nos pediu desculpas pelo comportamento. Após isso também houve novas crises.. E os espaços que eu tinha liberado com as semanas de organizações, ele está novamente preenchendo com coisas que traz das ruas. As mais recentes são uma enorme impressora quebrada, e uma cafeteira que também não funciona, fora vários itens menores. Diante disso, resolvi não me estressar tanto com o que não posso mudar. Vendi a lata maior de tinta, das duas que eu tinha comprado. Mantive somente a menor, para alguns retoques. Estamos vendendo/doando algumas coisas nossas que não queremos, e seguem os planos de nos mudarmos para outra casa (somente eu, meu outro irmão, e nossos 2 gatos). A propósito, coincidência ou não (e eu não acredito em coincidências), a moça que comprou a lata de tinta é psicóloga, e ela também me disse que a única solução real em casos como este é mudar de casa, longe do acumulador. Pois o acumulador precisa antes admitir que tem um problema, ou nada mudará...

Pra quem passa por situação semelhante, digo que você não está sozinho (a): há cada vez mais pessoas hoje em dia escravas desse mal, sejam acumuladores ou entes queridos destes. Mas que pra conseguir ter uma casa organizada e limpa, sem a loucura da acumulação, pode ser que você precise tomar a mesma decisão, de se afastar da pessoa que tem esse problema. E se você é essa pessoa que acumula, precisa urgente perceber que tem sim um problema, que é muito semelhante ao vício das drogas ou bebida alcoólica, e que ele prejudica terrivelmente a você e seus familiares, afastando amigos e parentes, transformando as pessoas da casa em reclusas, que dia a dia vão abrindo mão da liberdade, da higiene, da saúde, da alegria.. e por fim até mesmo da sanidade.

Bem, fica meu alerta, e desejos de sorte e sucesso a todos que vivem essa realidade e desejam se libertar dela.



E abaixo mais algumas fotos de exemplo da bagunça que nosso irmão traz (desculpe pela qualidade da última foto, tivemos problemas com a câmera anterior).


Como era o canto entre os sofás, antes de ser esvaziado:



Este é outro canto do sofá. Aqui eu já tinha
removido quase todo o entulho, e abaixo
disso havia traços de cupim de solo (que
também pode ser visto no canto entre as
paredes)


Como ficou o canto entre os sofás, depois da organização:

A ideia era fazer reparos nesse piso. A parede
eu consegui pintar um pouco depois
dessa foto


Uma pequena parte das coisas que retiramos
de casa



Como está voltando a ficar...



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Projeto (des) Acumuladores – Parte 04


Muitas incertezas e uma certeza..

Vou começar pelas novidades antigas, que ainda não tinha postado. Como comentei anteriormente, o processo de desacumulação e limpeza ficou um pouco mais lento por causa do calor e de outras atividades. Nesse meio tempo, nosso amigo de São Paulo havia adiado a vinda dele para março, coincidindo com um outro evento que teremos na região. Assim ganhei mais tempo, porque realmente não ia conseguir deixar tudo arrumado, pois era (e ainda é) muita coisa pra fazer.

Nesses tempos consegui “atacar” um dos quartos, o maior deles, onde meu irmão mais velho (o não acumulador) dorme.  Aqui temos um roupeiro grande que foi atacado por cupins e não podemos mais usar completamente. O ideal é demolir, mas como é muito grande decidimos deixar como está. Ao menos consegui terminar de esvaziar, o que facilita o trabalho quando vier a ser demolido.
Mas consegui limpar o “roupeirão” de prateleiras que fica num nicho da parede. Em limpezas anteriores já tirei quase tudo que não prestava daqui, desta vez tirei o resto que faltava, limpei todas as prateleiras, e comecei a recolocar somente o que vamos realmente manter. Também pintei um pouco das paredes.

Na cozinha limpei o que faltava dos balcões (não lembro se mencionei, mas também pintei parte dos balcões por fora), e comecei a recolocar as louças.

Tive alguns dias extras em casa, devido a uma semana que não tive folga (e portanto na seguinte tive duas), e depois 4 dias por ocasião do feriadão de Carnaval. Infelizmente nesses dias não consegui fazer muita coisa, pois na primeira ocasião estava um pouco doente (dor de barriga devido à água do trabalho), e no segundo dia do feriado de Carnaval, quando estava guardando coisas no roupeirão, a escada de metal quebrou e caímos. Eu estava no topo dela e machuquei um joelho, os pés, a barriga e um ombro, mas nada de sério (somente o joelho ainda está um pouco roxo mas já está quase como novo =) ). Com esse acidente e a falta da escada, não pude pintar como havia planejado, então me ocupei mais de me recuperar e fazer pequenos reparos.


Agora as novidades mais recentes.. Bem, agora mesmo, há menos de 2 horas, nosso irmão mais novo (que já tem quase 40 anos) esteve aqui perguntando do microondas velho, uma das tralhas que ele achou na rua e que ficou meses em cima da mesa da sala. Quando trouxe, ele havia dito que era pra substituir o nosso microondas antigo (que estava em uso), e que apenas precisava de um pequeno conserto, mas assim ficou por meses. Então recentemente limpei e tentei consertar, mas então percebi que estava sem o prato de vidro, e o prato do nosso outro microondas não era compatível (era grande demais, nem passava na porta do micro). Então doei para uma instituição. Quando falei isso, ele simplesmente surtou, e passou a gritar e nos ameaçar de maneira extremamente agressiva (como fez durante muitos anos enquanto a mãe ainda estava viva.. Parecia que havíamos sido transportados de novo para aqueles tempos..). Faz umas 2 semanas ele também deixou uma geladeira aqui dizendo que seria por pouco tempo, mas antes nos perguntou se podia e nós concordamos. Hoje depois de surtar, passou a ameaçar dizendo que se a geladeira sumisse, nós íamos nos arrepender, pois ele ia acabar com a gente, com tudo que temos, colocar fogo na casa e destruir tudo... Ficou pelo menos uns 10 minutos sem parar gritando, acusando e ameaçando, gritando até para os vizinhos..

Sabe, eu tenho colocado praticamente todo meu dinheiro e tempo nessa casa, pra pagar contas, pra comprar materiais, pra realizar consertos.. Recentemente gastei quase todo dinheiro que ganhei no ano passado inteiro pra colocar o condomínio em dia, pelo bem de todos aqui. Mas será que vale a pena continuar insistindo tanto nessa casa? Às vezes.. vencer é saber quando deixar o campo de batalha. Lembro também das palavras do meu chefe e amigo, que ao me ver desperdiçando meu tempo com outros, me dizia “não se pode salvar a todos... Pensa em ti, cuida de ti, faz por ti”. Realmente não posso salvar todos, e esse nem é meu caminho. Cada um tem seu próprio timing e escolhas. Por mais que eu queira ajudar, estou deixando de cuidar de mim.. Uma outra amiga há uns 2 anos me disse que eu estava colhendo o que plantei. Perguntei o que ela queria dizer com isso, pois eu sempre tentava ajudar todos e continuava a me dar mal. Então ela perguntou “sim, e o que você plantou pra si mesma?”. Eu gelei.. e respondi “nada”, ao que ela disse “pois então, é isso que está colhendo...”, e é pura verdade.
Bom, vou seguir organizando, mas sem sacrificar mais dinheiro aqui. Há anos eu já queria me mudar com meu outro irmão e nossos gatos, mas tinha esperanças de poder ajudar esse irmão acumulador. Mas realmente não posso salvar a todos, ainda mais se isso significa me perder ao longo do caminho.



Desculpe pelo update nada animado. Por enquanto ainda vou trabalhar na casa e espero ter melhores novidades mais pra frente, mas já adianto que devido a essa situação que mencionei, enquanto estiver nesta casa nada será definitivo, apenas paliativo.

Bom, fique à vontade pra deixar seus comentários e/ou sugestões, que são sempre bem vindos.




domingo, 14 de janeiro de 2018

Projeto (des) Acumuladores – Parte 02




Pequenas vitórias

Recapitulando, comecei  a documentar minha jornada contra a acumulação em nossa casa no dia 19 de dezembro de 2017. No dia seguinte, encontrei uma matéria ótima com um resumo do método de organização FlyLady, e resolvi colocar em prática, ao menos o que já dava pra implementar na hora (mas não me restringi aos 15 minutos sugeridos pois quero ver os resultados em bem menos tempo). Nos dias seguintes vivi, duas vezes ao dia (pela manhã antes de ir trabalhar, e ao voltar no final do dia), a quase aventura de encontrar pelo menos 27 itens pra doar ou jogar fora. Incrível como vai ficando até mesmo divertido, quase como um jogo.

Na primeira semana consegui retirar de casa pelo menos 10 sacos de lixo de capacidade de 100 litros, entre materiais recicláveis e orgânicos. Isso tudo sem contar o que foi separado pra doação: um aquecedor quebrado, uma pia (sim, uma pia.. Uma pia, que ficou alguns meses no corredor de entrada do nosso apartamento. A desculpa é que ia ficar só ali no cantinho por pouco tempo, porque ia ser vendida, mas não foi), um criado-mudo, utensílios de cozinha, muitas revistas e algumas roupas também, entre outras coisas.

No final do feriadão (dia 2 de janeiro) o pessoal da instituição veio recolher tudo, e é incrível como a sala já parece muito maior do que era. Também nesse tempo consegui lavar todas as paredes da cozinha e quase todas da sala, e colei alguns taquinhos do parquê que estava soltando há tempos em algumas partes do piso. Nas próximas folgas vou lavar o que falta e continuar a pintura (que comecei agora no dia 10 de janeiro).
Outra coisa que notei é que os gatos também estão bastante alegres com mais limpeza e espaço pra brincar! Me sinto uma “mãe” muito mais feliz. ^__^


Shatira e Chuchu, meus filhos lindos peludos:



Algumas semanas agitadas

Foram algumas semanas agitadas, com muita coisa acontecendo: trabalho, calor, uma pia entupida (que ainda não consegui resolver), muito cansaço.. Parte do meu tempo livre foi usado também pra consertar algumas coisas: além dos taquinhos do piso, também dei uma demão de tinta no forno elétrico, que estava um pouco enferrujado e descascando em cima, limpamos muitos cobertores, pintei as paredes e teto da cozinha (o teto eu acho que nunca havia sido pintado, e as paredes haviam sido pintadas há muitos anos num tom amarelo claro mas estavam repletas de manchas que não saíram com a lavagem das semanas anteriores), e eu finalmente recebi (e instalei) uma peça que completa minha secadora de roupas, e com isso vai ficar mais fácil secar volumes maiores como os cobertores e cortinas. Ainda tem muitos reparos pra fazer na cozinha e na casa toda, mas já começamos a ver mudanças muito grandes e animadoras!

Rápido antes e depois de parte da cozinha:




Uma alegre surpresa

Bom, perdi a conta de quantos sacos de lixo (capacidade 100l; entre recicláveis e lixos orgânicos) já foram até agora, e devido ao calor que temos passado (verão) e minhas poucas folgas do trabalho, o processo ficou um pouco mais lento do que nos primeiros dias. Ainda ouço do meu outro irmão o eventual “isso ainda pode ser útil”, mas percebo que estamos ficando bem mais conscientes em termos do que deve ou não ser guardado.

E outra coisa muito boa aconteceu nessas semanas: meu irmão acumulador apareceu de surpresa em um dia de minha folga, enquanto ainda havia em casa muitas coisas juntadas por ele que separei pra doação, e também alguns sacos grandes com variados tipos de lixo. Eu ainda estava no banheiro quando o ouvi perguntar onde estavam todas as coisas dele que ficavam no canto perto da cortina da sala. De lá mesmo eu respirei fundo (achei que lá vinha briga) e calmamente disse que tinha um pouco no roupeiro e mais um pouco dentro da estante. Ouvi a porta do roupeiro se abrindo. Silêncio... (Seria um bom sinal? Em tempos anteriores ele já estaria xingando aos gritos..) Saí do banheiro, ele me perguntou se tinha “baixado a Maria” (se estava faxinando a casa), porque no ponto em que ele chegou já havia mudanças bastante grandes e positivas. Eu aproveitei e disse que estávamos há tempos com problemas de baratas, cupins e outros bichos dentro de casa, e assim já não dava mais.



Agora uma pausa pra explicar que faz alguns meses, após alguns eventos difíceis onde o apoiamos, ele deixou de ser agressivo conosco (comportamento que vinha desde a infância) e tem inclusive se desculpado em algumas situações (e isso nunca acontecia, e agora já temos quase 40 anos de convivência e pelo menos uns 25 de brigas constantes), e esse foi um dos motivos de ter resolvido tentar de novo a limpeza geral agora.

O resto da conversa foi bastante tranqüilo. Eu aproveitei a calma dele e disse que não queria que ele trouxesse mais lixo pra dentro de casa. A resposta dele foi “que lixo?”, e a minha foi “restos de construção, coisas velhas que outros jogaram fora, peças velhas, etc” e pra minha surpresa ele não se alterou em nenhum momento. Outra surpresa foi que ele não tentou em nenhum momento revirar nenhum dos sacos na sala pra pegar coisas de volta.

Nos dias seguintes ele apareceu mais vezes, e num deles apenas me perguntou educadamente onde eu havia guardado alguns sapatos, e quando mostrei onde estavam ele ficou bastante feliz. Em outro momento comentou comigo que não jogava nada fora. Eu não aproveitei o gancho dessa vez, mas ainda quero aproveitar (quando a casa estiver um pouco mais limpa e organizada) e falar sobre o mal que essa acumulação faz (e como muitas vezes só percebemos quando a situação já foi longe demais), e como fica bonita a casa quando conseguimos jogar os excessos fora.
Como forma de incluí-lo, torná-lo cúmplice, também pedi que ele separasse coisas que não quer mais, que já estejam estragadas, pra jogarmos fora. Não sei se ele vai fazer isso, mas ao menos no momento ele concordou, ao invés de brigar.

Mas pra equilibrar, o outro irmão tem contestado quanto a certas coisas que estou separando pra doação. Algumas caixas ele chegou a revisar (ou melhor dizendo, revistar...) pra ver se eu estava descartando alguma coisa que ele considerava útil... Essa semana me disse de novo que poderíamos precisar de algumas dessas coisas. Eu respondi calmamente que ali estava o perigo, pois com a desculpa de que podemos precisar, terminamos soterrados em porcarias que pouco ou nunca usamos.


(Clipart daqui)



Coisas que têm me ajudado muito nessa jornada

1-     A diferença da casa limpa e organizada é muito grande (não tem argumento contra isso). Os espaços que se abrem mostram como o ambiente era na verdade maior do que se imaginava, apenas era ocupado por tralhas...

2-      Muita calma e bom senso na hora de conversar com quem acumula (ou mesmo quem a princípio não parece acumular, mas já se acostumou com a situação, e demonstra o mesmo “medo” de vir a precisar de algum item), destacando todos os pontos positivos e as melhorias que já aparecem, e também a questão da limpeza vs saúde e qualidade de vida.

3-      Organizar e limpar sozinha, pois assim ninguém contesta o que estou fazendo. Sei que em muitos casos é importante que o acumulador participe da limpeza, pois assim ele vai aprendendo e se prevenindo de acumular mais. Mas isso nem sempre é possível, nem sempre os outros membros da família estão preparados pra essa mudança. Como eles dificilmente lembram das coisas que têm soterradas entre outras coisas, fica mais fácil se livrar desses itens se eles não estiverem olhando (como roupas manchadas, estragadas, vidros vazios, alguns papéis velhos, comidas vencidas, etc). No meu caso, se meus irmãos participassem dessa limpeza, o processo seria muito mais lento e estressante, e quase nada seria jogado fora. Por isso preferi fazer tudo sozinha, que é bastante cansativo fisicamente, mas mentalmente é a opção mais rápida e pacífica.

(Essa linda moldura vem desse site)



Tenho que admitir de novo que eu também acumulava muitas coisas (embora ao longo dos anos eu já tenha me livrado de muitos excessos), e esse tem sido um processo de libertação pra todos nós. Ainda que a maioria das coisas que esteja jogando fora agora não tenham sido acumuladas por mim, ver cada um desses itens desnecessários tomando espaço na casa tem me ajudado a olhar tudo com uma nova perspectiva, de mais distanciamento emocional. Por exemplo, antes eu guardava todas as receitas que nossa mãe havia colecionado, simplesmente pelo fato de que ela havia posto muito amor nessa tarefa de juntar cada uma delas, pensando em repassar pra nós ou mesmo preparar pra família. Mas eu resolvi manter somente as receitas que tem maiores possibilidades de realmente ser utilizadas, e algumas também que ela escreveu à mão. Quando jogamos fora as pilhas e pilhas de coisas desnecessárias, fica muito mais fácil valorizar e apreciar os verdadeiros tesouros que antes ficavam escondidos como apenas mais uma gota de água no oceano do caos e da desordem.



E você? Já fez ou pensou em fazer alguma mudança radical em sua vida, mesmo sem ter o apoio da família?