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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Projeto (des) Acumuladores – Parte 03

Pequenos tesouros

Esse post é parte da minha jornada contra a acumulação, e serve apenas para mostrar algumas das coisas que meu irmão acumulador achou interessantes o suficiente pra manter guardadas em nossa casa como se fossem pequenos tesouros. Muita coisa eu não fotografei, apenas joguei fora direto, mas abaixo você pode ver algumas das que tive oportunidade de registrar (à medida em que for limpando, pode ser que acrescente mais fotos e detalhes).


Vidro vazio e velho de perfume. Esse estava há muitos anos em casa. Ele achou na rua, já vazio. Lembro porque nos mostrou como se fosse um troféu.. Na foto estou usando uma meia preta sem par como luva



3 lanternas estragadas, um saco plástico vazio, diversos fios elétricos, fita k-7, cartão de crédito de loja (cancelado há mais de 15 anos),... tudo enfiado num saco



2 luminárias estragadas (tinha outras mais), 4 sacolas de tecido para transporte de valores, um resto de rolo de fita de trânsito



Esse cabo longo de metal pintado de amarelo



O puff velho e mofado, e o móvel bonitinho mas que tem gaveta e porta que não abrem (já apareceram no post 1)




Um sino....



Assim como esse carregador, havia vários outros itens: estragados, faltando pedaços, apenas tomando espaço e sugando nossa energia..


Uma mochila super rasgada (mochila tinha várias, essa era a penas a pior delas)


Uma pia...




Isso na foto, acreditem ou não, são toucas descartáveis usadas, do tempo em que ele trabalhava como cozinheiro. Ganhava uma dessas por dia e após o uso, trazia pra casa e ia acumulando, ao invés de descartar. Aqui tinha apenas uma pequena quantidade e dentro de um saco plástico. Mas as outras que já encontrei estavam misturadas a outras bagunças (roupas sujas, sapatos velhos, sujeira, mofo...) e em quantidades enormes (suficiente pra encher pelo menos 2 travesseiros)




Esse... inseto de metal? Não tenho a menor idéia de pra quê isso serve ou serviu, só sei que ficou em casa por pelo menos uns 2 anos, enfiado em um dos armários da cozinha.. Mas pelo menos deu uma foto bem legal J



Outras coisas que encontrei: bolsas e mochilas velhas que ele cata na rua, diversos pares de sapatos estragados (alguns mofados), roupas manchadas, rasgadas e mofadas, roupas e sapatos de mulher, curvador de cílios, potes plásticos pra comida (nem todos estavam limpos), meias velhas sem pares (inclusive algumas minhas que haviam sumido), retalhos de tecido rasgados/manchados, papéis de todos os tipos (promoções vencidas, guardanapos, cartões de visita de serviços que ele não usa) sendo que muitos deles mofados, muitos (mas MUITOS mesmo) carregadores de celular estragados e fios diversos, baterias velhas, comida vencida há anos,...

Tenho pesquisado muito sobre o assunto, e também converso com outras pessoas a respeito. Alguns nunca ouviram falar disso, mas a maioria já passou ou conhece alguém que passa por situação parecida..

Aqui o desabafo desesperado de uma mulher casada com um acumulador, e nos comentários ela compartilha a solução que encontrou para criar sua filha em um ambiente saudável. Nos comentários também muitas outras pessoas revelam situações semelhantes...

Aqui o antes e depois do apartamento de uma mulher que não conseguia ver o piso há 4 anos.


E você, o que acha de tudo isso? Qual sua visão a respeito desse distúrbio? Já passou por algo semelhante ou conhece alguém que viva uma situação assim?



domingo, 14 de janeiro de 2018

Projeto (des) Acumuladores – Parte 02




Pequenas vitórias

Recapitulando, comecei  a documentar minha jornada contra a acumulação em nossa casa no dia 19 de dezembro de 2017. No dia seguinte, encontrei uma matéria ótima com um resumo do método de organização FlyLady, e resolvi colocar em prática, ao menos o que já dava pra implementar na hora (mas não me restringi aos 15 minutos sugeridos pois quero ver os resultados em bem menos tempo). Nos dias seguintes vivi, duas vezes ao dia (pela manhã antes de ir trabalhar, e ao voltar no final do dia), a quase aventura de encontrar pelo menos 27 itens pra doar ou jogar fora. Incrível como vai ficando até mesmo divertido, quase como um jogo.

Na primeira semana consegui retirar de casa pelo menos 10 sacos de lixo de capacidade de 100 litros, entre materiais recicláveis e orgânicos. Isso tudo sem contar o que foi separado pra doação: um aquecedor quebrado, uma pia (sim, uma pia.. Uma pia, que ficou alguns meses no corredor de entrada do nosso apartamento. A desculpa é que ia ficar só ali no cantinho por pouco tempo, porque ia ser vendida, mas não foi), um criado-mudo, utensílios de cozinha, muitas revistas e algumas roupas também, entre outras coisas.

No final do feriadão (dia 2 de janeiro) o pessoal da instituição veio recolher tudo, e é incrível como a sala já parece muito maior do que era. Também nesse tempo consegui lavar todas as paredes da cozinha e quase todas da sala, e colei alguns taquinhos do parquê que estava soltando há tempos em algumas partes do piso. Nas próximas folgas vou lavar o que falta e continuar a pintura (que comecei agora no dia 10 de janeiro).
Outra coisa que notei é que os gatos também estão bastante alegres com mais limpeza e espaço pra brincar! Me sinto uma “mãe” muito mais feliz. ^__^


Shatira e Chuchu, meus filhos lindos peludos:



Algumas semanas agitadas

Foram algumas semanas agitadas, com muita coisa acontecendo: trabalho, calor, uma pia entupida (que ainda não consegui resolver), muito cansaço.. Parte do meu tempo livre foi usado também pra consertar algumas coisas: além dos taquinhos do piso, também dei uma demão de tinta no forno elétrico, que estava um pouco enferrujado e descascando em cima, limpamos muitos cobertores, pintei as paredes e teto da cozinha (o teto eu acho que nunca havia sido pintado, e as paredes haviam sido pintadas há muitos anos num tom amarelo claro mas estavam repletas de manchas que não saíram com a lavagem das semanas anteriores), e eu finalmente recebi (e instalei) uma peça que completa minha secadora de roupas, e com isso vai ficar mais fácil secar volumes maiores como os cobertores e cortinas. Ainda tem muitos reparos pra fazer na cozinha e na casa toda, mas já começamos a ver mudanças muito grandes e animadoras!

Rápido antes e depois de parte da cozinha:




Uma alegre surpresa

Bom, perdi a conta de quantos sacos de lixo (capacidade 100l; entre recicláveis e lixos orgânicos) já foram até agora, e devido ao calor que temos passado (verão) e minhas poucas folgas do trabalho, o processo ficou um pouco mais lento do que nos primeiros dias. Ainda ouço do meu outro irmão o eventual “isso ainda pode ser útil”, mas percebo que estamos ficando bem mais conscientes em termos do que deve ou não ser guardado.

E outra coisa muito boa aconteceu nessas semanas: meu irmão acumulador apareceu de surpresa em um dia de minha folga, enquanto ainda havia em casa muitas coisas juntadas por ele que separei pra doação, e também alguns sacos grandes com variados tipos de lixo. Eu ainda estava no banheiro quando o ouvi perguntar onde estavam todas as coisas dele que ficavam no canto perto da cortina da sala. De lá mesmo eu respirei fundo (achei que lá vinha briga) e calmamente disse que tinha um pouco no roupeiro e mais um pouco dentro da estante. Ouvi a porta do roupeiro se abrindo. Silêncio... (Seria um bom sinal? Em tempos anteriores ele já estaria xingando aos gritos..) Saí do banheiro, ele me perguntou se tinha “baixado a Maria” (se estava faxinando a casa), porque no ponto em que ele chegou já havia mudanças bastante grandes e positivas. Eu aproveitei e disse que estávamos há tempos com problemas de baratas, cupins e outros bichos dentro de casa, e assim já não dava mais.



Agora uma pausa pra explicar que faz alguns meses, após alguns eventos difíceis onde o apoiamos, ele deixou de ser agressivo conosco (comportamento que vinha desde a infância) e tem inclusive se desculpado em algumas situações (e isso nunca acontecia, e agora já temos quase 40 anos de convivência e pelo menos uns 25 de brigas constantes), e esse foi um dos motivos de ter resolvido tentar de novo a limpeza geral agora.

O resto da conversa foi bastante tranqüilo. Eu aproveitei a calma dele e disse que não queria que ele trouxesse mais lixo pra dentro de casa. A resposta dele foi “que lixo?”, e a minha foi “restos de construção, coisas velhas que outros jogaram fora, peças velhas, etc” e pra minha surpresa ele não se alterou em nenhum momento. Outra surpresa foi que ele não tentou em nenhum momento revirar nenhum dos sacos na sala pra pegar coisas de volta.

Nos dias seguintes ele apareceu mais vezes, e num deles apenas me perguntou educadamente onde eu havia guardado alguns sapatos, e quando mostrei onde estavam ele ficou bastante feliz. Em outro momento comentou comigo que não jogava nada fora. Eu não aproveitei o gancho dessa vez, mas ainda quero aproveitar (quando a casa estiver um pouco mais limpa e organizada) e falar sobre o mal que essa acumulação faz (e como muitas vezes só percebemos quando a situação já foi longe demais), e como fica bonita a casa quando conseguimos jogar os excessos fora.
Como forma de incluí-lo, torná-lo cúmplice, também pedi que ele separasse coisas que não quer mais, que já estejam estragadas, pra jogarmos fora. Não sei se ele vai fazer isso, mas ao menos no momento ele concordou, ao invés de brigar.

Mas pra equilibrar, o outro irmão tem contestado quanto a certas coisas que estou separando pra doação. Algumas caixas ele chegou a revisar (ou melhor dizendo, revistar...) pra ver se eu estava descartando alguma coisa que ele considerava útil... Essa semana me disse de novo que poderíamos precisar de algumas dessas coisas. Eu respondi calmamente que ali estava o perigo, pois com a desculpa de que podemos precisar, terminamos soterrados em porcarias que pouco ou nunca usamos.


(Clipart daqui)



Coisas que têm me ajudado muito nessa jornada

1-     A diferença da casa limpa e organizada é muito grande (não tem argumento contra isso). Os espaços que se abrem mostram como o ambiente era na verdade maior do que se imaginava, apenas era ocupado por tralhas...

2-      Muita calma e bom senso na hora de conversar com quem acumula (ou mesmo quem a princípio não parece acumular, mas já se acostumou com a situação, e demonstra o mesmo “medo” de vir a precisar de algum item), destacando todos os pontos positivos e as melhorias que já aparecem, e também a questão da limpeza vs saúde e qualidade de vida.

3-      Organizar e limpar sozinha, pois assim ninguém contesta o que estou fazendo. Sei que em muitos casos é importante que o acumulador participe da limpeza, pois assim ele vai aprendendo e se prevenindo de acumular mais. Mas isso nem sempre é possível, nem sempre os outros membros da família estão preparados pra essa mudança. Como eles dificilmente lembram das coisas que têm soterradas entre outras coisas, fica mais fácil se livrar desses itens se eles não estiverem olhando (como roupas manchadas, estragadas, vidros vazios, alguns papéis velhos, comidas vencidas, etc). No meu caso, se meus irmãos participassem dessa limpeza, o processo seria muito mais lento e estressante, e quase nada seria jogado fora. Por isso preferi fazer tudo sozinha, que é bastante cansativo fisicamente, mas mentalmente é a opção mais rápida e pacífica.

(Essa linda moldura vem desse site)



Tenho que admitir de novo que eu também acumulava muitas coisas (embora ao longo dos anos eu já tenha me livrado de muitos excessos), e esse tem sido um processo de libertação pra todos nós. Ainda que a maioria das coisas que esteja jogando fora agora não tenham sido acumuladas por mim, ver cada um desses itens desnecessários tomando espaço na casa tem me ajudado a olhar tudo com uma nova perspectiva, de mais distanciamento emocional. Por exemplo, antes eu guardava todas as receitas que nossa mãe havia colecionado, simplesmente pelo fato de que ela havia posto muito amor nessa tarefa de juntar cada uma delas, pensando em repassar pra nós ou mesmo preparar pra família. Mas eu resolvi manter somente as receitas que tem maiores possibilidades de realmente ser utilizadas, e algumas também que ela escreveu à mão. Quando jogamos fora as pilhas e pilhas de coisas desnecessárias, fica muito mais fácil valorizar e apreciar os verdadeiros tesouros que antes ficavam escondidos como apenas mais uma gota de água no oceano do caos e da desordem.



E você? Já fez ou pensou em fazer alguma mudança radical em sua vida, mesmo sem ter o apoio da família? 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Projeto (des) Acumuladores – Parte 01




Recebendo uma grande notícia!

Faz alguns dias um grande amigo que mora em outro estado comentou que como está de férias gostaria muito de vir nos visitar. Ele é amigo meu e do meu irmão mais velho há muitos anos, e embora nosso contato até agora tenha sido somente à distância, ele tem estado conosco através dos momentos mais difíceis da nossa vida: perda de nossa mãe, problemas de saúde dela e nossos, problemas de drogas do nosso irmão mais novo, dificuldades financeiras extremas onde ele chegou mesmo a nos sustentar por um período bastante longo (detalhe:  não é rico, a não ser em bons sentimentos e intenções). Somos amigos pela grande afinidade de personalidades, gostos e caráter também; ele sempre foi um irmão de alma. Mas então, ele disse que gostaria de vir nos visitar/conhecer pessoalmente, “se der” (isto é, se concordássemos).  Disse também que poderia ficar em algum hotel na cidade, mas que gostaria muito de nos ver. Eu disse que é claro que ele poderia vir e ficar com a gente, que o resto nós damos um jeito!

Maravilha, pura felicidade com essa notícia fantástica! Sempre quisemos conhecê-lo pessoalmente e agora teríamos essa chance! :D Só alegria, a não ser por um pequeno detalhe: a nossa casa...    -___-‘



O começo de tudo, influências passadas: casa de 4 acumuladores

Bom, nossa casa tem um problema de acumulação. Pra quem não conhece, separei um artigo aqui, e também um vídeo que mostra alguns casos extremos (o caso do meu irmão mais novo é como o da senhora que aparece aos 9 minutos do vídeo. Ele chegaria nesse ponto se ninguém controlasse). Basicamente é um distúrbio que tem raízes muitas vezes na infância, costuma afetar diversos membros de uma mesma família (muitos dizem que é genético, eu já penso que tem a ver com a maneira como somos criados e com as crenças limitantes que vamos aprendendo a desenvolver) e é muito, mas muuuuito difícil de superar mesmo (como todo vício ou comportamento obsessivo, aliás). Muitas famílias passam anos nessa situação antes de conseguir superá-la, isso quando superam.

No nosso caso, essa tendência começou com minha mãe. Como ela foi muito muito pobre no começo da vida até os 30 ou 40 anos, guardava o que podia e evitava desperdiçar, embora fizesse o possível pra manter a casa sempre limpa e em ordem. Mas ainda assim tinha muita dificuldade em jogar coisas fora, especialmente se ainda funcionassem ou pudessem ser aproveitadas no futuro (pregos, parafusos, fios e arames de todos os tipos, potes plásticos, clipes, papéis de embrulho, recortes de jornal, receitas).

Ela também tinha muita pena de usar alguns itens novos, assim muitos deles (utensílios, roupas, sapatos) eram guardados para momentos especiais que terminavam nunca chegando..
Falando em receitas, mâmi costumava colecionar receitas que ela recortava de embalagens de produtos. Mas por ter 3 filhos, ela guardava sempre 3 receitas de cada, 3 livros iguais e assim por diante, pois quando cada filho casasse já teria sua própria coleção de receitas. 20 anos depois nenhum de nós casou e quase todas essas receitas já foram para o lixo..

Esse “podemos precisar no futuro” foi criando raízes profundas nas nossas mentes... Eu também acumulava muito (papéis especialmente, receitas, desenhos, revistas com dicas pra perder peso, roupas que eu esperava usar quando emagrecesse, revistas de videogame e computação, etc), e de tempos em tempos arrumava coragem e me livrava de muitas coisas, doando ou jogando fora. Dava uma grande sensação de liberdade, embora às vezes me arrependesse de ter descartado um ou outro item, mas nada de que realmente sinta falta hoje em dia.



Vivendo com um acumulador extremo em casa

O problema maior mesmo foi quando meu irmão mais novo começou a acumular, já na adolescência. No começo foram pequenos itens, algumas peças de bicicleta, ioiôs, adesivos, fios elétricos.. Ele ficava extremamente agressivo se tentássemos organizar qualquer coisa, e ameaçava jogar fora todas as nossas coisas úteis, como roupas e objetos de uso pessoal. Aos poucos foi tomando proporções ridículas, e invadindo outros cômodos da casa. Lembro que uma vez ele apareceu com um grande papagaio de cerâmica (com pelo menos uns 70cm de comprimento) com rabo quebrado, abraçado a ele e rindo como se fosse um grande tesouro.. Minha mãe, por causa do problema de drogas desse filho, e das grandes discussões que isso gerava na família, se tornou super protetora especialmente em relação a ele, e nos desestimulava a interferir em qualquer assunto que limitasse a “liberdade” dele, pois pra ela isso parecia perseguição de nossa parte, quando na verdade estávamos apenas procurando nos defender e viver uma vida mais normal..

Depois que a mãe faleceu, eu e meu irmão mais velho entramos numa grande depressão e evitamos organizar por muito tempo. Eu consegui aos poucos doar quase todas as roupas e pertences dela, assim como muitos utensílios e livros.

Já tivemos problema de cupins (cupim de solo, o pior que tem) por causa da acumulação e agora são baratas. Muitas vezes escondi grandes quantidades de coisas na esperança  que ele se esquecesse delas, e após algum tempo eu jogava fora.


Coleção de guarda-chuvas quebrados (depois achei mais)


Detalhe do estado de um guarda-chuva


Puff mofado, e móvel bonitinho mas que não abre a gaveta e porta (os móveis da sala, ao fundo, ficam tapados com cobertores por causa da pouca higiene dele)

Aqui o móvel e o puff, enquanto ainda estavam
soterrados por outras coisas


Panelas velhas escondidas (já fez isso outras vezes, eu joguei as outras fora mas mais apareceram)


Coleção de garrafas vazias, escondidas dentro de uma sacola, embaixo de um entulho de sacolas, roupas, sapatos e outras coisas









Hoje em dia...

Já faz mais de 2 anos que ele não mora mais conosco “oficialmente”, apenas aparece ocasionalmente pra dormir, e uma ou outra vez durante a semana pra buscar ou trazer algo. E ainda assim o lixo continua aparecendo... Mês passado fui fazer uma limpeza e encontrei embaixo da cama do meu irmão mais velho, um saco de lixo de 100l cheio de pedaços velhos de um piso de madeira.. Isso provavelmente foi colocado lá no meio da noite, quando estávamos dormindo.. Ele já tomou conta da sala (ocupou todo o canto perto da janela, a estante e também a mesa de jantar),  e de outras partes da casa onde muitas vezes encontramos mais lixo escondido (panelas velhas embaixo da mesa da cozinha, atrás de sofás, dentro de gavetas, em cima da geladeira, em cima dos 2 roupeiros, ...). Tem sido bastante difícil ao longo dos anos. Quando resolvo atacar uma parte, jogar tudo fora e consigo limpar, já tem outra parte da casa bem pior, e isso vai desanimando, drenando as forças, dá vontade de abandonar tudo e sair correndo. Lembro que nossa mãe muitas vezes também perdia as energias e dizia que precisávamos de um incêndio pra começar tudo do zero. Não digo isso, mas que dá vontade de fugir, isso dá. Temos muita vergonha de trazer amigos em casa, e faz anos que ninguém visita. Vergonha também quando algum prestador de serviços precisa entrar, ou mesmo o pessoal da instituição que vem buscar as coisas que ainda podem ser aproveitadas e que doamos.

Mas enfim, a gota d’água realmente veio quando esse nosso amigo querido demonstrou vontade de passar uns dias com a gente. Como poderíamos dizer não? Jamais.

Como ultimamente nosso irmão ficou menos agressivo, e quando pergunta de alguma coisa eu digo que não sei, não vi, e ele se contenta, então chegou o momento de dar um basta nisso e fazer o depósito de lixo ter cara de lar novamente.

Tive a idéia de escrever este post enquanto lia a históriade uma filha de acumuladores com problemas ainda mais graves que os que vivo atualmente. Lendo o post dela, e também outros posts e matérias enquanto pesquisava, percebi que essa divulgação pode ajudar outras pessoas que vivem situações parecidas, porque isso dá um foco nesse problema que muitas vezes achamos que é normal, ou então sabemos não ser, mas tentamos ignorar por falta de força de encará-lo, e assim vamos vivendo como dá.

Sei que é útil ter esse tipo de material em casa, mas esta é uma entre muitas sacolas com mesmo conteúdo, fora as caixas de ferramentas que tem mais ainda

Mais itens aleatórios...


Mas viver “como dá” não é viver, é existir.. E chega um momento que precisamos lidar com isso de alguma maneira. E pra mim esse momento é agora, final de dezembro de 2017.

Antes de ter a idéia de documentar essas mudanças no blog, eu já havia jogado fora uns 2 sacos grandes (100 litros) com lixo, e também não estou tirando foto de tudo, apenas de algumas coisas que chamaram minha atenção, então pode parecer pouco o que aparece nas fotos. Pouco se levarmos em conta casos ainda mais extremos de acumulação, mas quem vive o problema sabe que qualquer quantidade de lixo indesejável dentro de casa escraviza, ainda mais se essa acumulação é de parte de um familiar.
Bem, assim começou nossa aventura de volta à sanidade...


Dia 1, dois sacos (de 100 litros) de lixo e mais outras coisas que não aparecem na foto


Sacola e garrafas pet vazias escondidas (também tinha algumas com óleo usado dentro, que não fotografei)


Canto da sala com lixos escondidos, e mais lixo sobre o sofá à direita da foto, que não aparece bem aqui (a sala costumava ser o “quarto” dele, enquanto que até hoje eu e meu irmão mais velho passamos mais tempo nos quartos ou cozinha, já que a sala deixou de ser um espaço de convivência há tempos). Tudo precisa de limpeza aqui, e me sinto uma péssima "mãe" por não ter conseguido mudar essa situação ainda e meus gatos também viverem em um ambiente assim







Bom, ao menos ele se protege...
(Sim, isso tudo são camisinhas. Mas metade delas
estava vencida e foi pro lixo)



Muitas dessas fotos foram tiradas com flash pois como trabalho fora o dia inteiro, o tempo que sobra pra organizar é muito cedo de manhã, ou então depois que volto, já no fim do dia.

Bem, mais no próximo post!
Se algum de vocês tem ou teve esse problema, comente por favor falando um pouco de sua experiência, se já conseguiu se libertar da bagunça, o que fez para isso, se a acumulação é de sua parte ou de outra pessoa em sua vida, e que efeitos você notou que isso gera em sua vida ou na de outras pessoas.

(Parte 2 aqui.)